domingo, 21 de abril de 2013

Pra onde é que você vai, menina?





E o que é que você quer, menina? Já faz tempo que escuto a mesma historinha da sempre mesma dorzinha, mas tempo de crescer, onde fica?

Pra onde é que você está andando? Cada passo pra frente vai que vai bambeando. É vontade de andar pra trás? Antes para trás, pois!

Se quer olhos novos por perto, por que quer tanto só um par deles? Se vários olhos não trazem a tão esperada estabilidade, por que então saber que olhos te olham?

Escolhe primeiro! Nem que sua escolha seja estar dos dois lados: um pé cá, outro lá! Mas estar lá e desejar o cá, ou o contrário, é trabalho demais pra minha vaga e rala psicologia. 

A menininha de ouro está perdida? 
Cansou de se arriscar pelos cantos ou de doer é que foi? 


Texto: Duane Valentim
Imagem: Oz: the great and powerful

domingo, 3 de março de 2013

Do que vejo e sinto, não sei nada



Dessas coisas que a gente não sabe muito bem o porquê sente. Parece estar tudo bem resolvido e racionalmente entendido, mas é um pedaço de vento bater mais forte na janela e pronto, está feito todo o tornado dentro da gente, e o que parecia estar preso, sai voando em nossa direção, nos da um golpe e nos coloca de cabeça mergulhada no travesseiro.
O incrível é a impossibilidade de calcular quantas vezes esse mesmo balançar das nossas certezas se repete. Pode trocar o personagem, mas o que vai do “ok, já sei muito bem como isso funciona”, passa para o “por que estou sentindo isso outra vez?”. E então, ficamos em silencio buscando alguma lembrança ou pista que nos traga de volta uma esperança, por mínima que seja, de que ainda temos alguma importância dentro de alguém. E no fundo, a gente sabe que o mesmo vento volta, só que com um pedaço cada vez menor da gente.


Texto: Duane Valentim
Imagem: x 

sábado, 26 de janeiro de 2013

no infinito do teto


Como aqueles machucados que aparecem em nossas mãos sem sabermos o momento certo em que fizemos, e que só nos damos conta quando o sabão atravessa, vagarosamente, cada milimetrozinho do corte.
Como quando nossos lábios adormecem entre um copo e outro sem sabemos ao certo em qual dos copos perdemos o sensível do tato, o doce do gosto, o andar das pálpebras.
Como quando, entre um pensamento e outro, adormecemos em um pedaço da noite e acordamos crentes de ser noite ainda. Mas não é.
Como quando fazemos do nosso dia, noite. Da noite, os olhos no teto. Do teto, nosso infinito. Com fim.



Texto: Duane Valentim

sábado, 12 de janeiro de 2013

...da saudade que da



Em um desses dias lentos e chuvosos, desses que não se tem nada para fazer e que se tivesse, também não seria feito, tive a grande ideia de ficar vendo várias das fotos guardadas, carinhosamente, nos últimos cinco ou seis anos.

Juntando o dia cinzento, a melancolia de cada gota de chuva na janela e a saudade vinda de dentro de cada foto, fui me lembrando, com tristeza, das vidas divididas no passado e que andam, agora, com as mãos distantes.


A casa, tão pequenina, vivia cheia. Cheia de risadas, de sonhos, de terapia. Cheia de ideologias, de discussões sobre as injustiças do mundo e do sistema. Cheia de teorias sobre o amor misturadas com o cheiro da fumaça de cigarro. Misturadas com nossos medos do futuro e com os pelos do gato da vizinha.


Eu não sei ao certo onde foi que isso tudo se perdeu. Sei apenas que as coisas foram caminhando, caminhando e caminhando, até eu chegar à casa grande. A casa grande tem histórias novas e muitas fotos ainda para serem tiradas, mas sinto uma saudade enorme do vivido lá. E a culpa foi toda cinza, que não conseguiu trazer a casa pequena dentro da casa grande. Caberia.


Texto: Duane Valentim
Foto: Aniversário 2011

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

do gosto que ficou



porque hoje estava decidida a tomar suco de goiaba. fui ao mercado, comprei duas goiabas. chegando em casa, cortei as goiabas, bati no liquidificador, coloquei no copo e tomei e, adivinha: eram peras!!! e eu demorei tanto pra entender que eram peras!!! tamanha decepção!  depois que limpei tudo, me dei conta de que já comprei muitas peras com a certeza de que eram goiabas. e não foi pelo gosto que descobri que tinha trocado as frutas. foi só com o tempo, que trouxe o podre do lado de dentro.