segunda-feira, 22 de junho de 2009

Meu tripé

Meu tornozelo esquerdo estava se recuperando do tombo que levei das nuvens.
Demorou tanto para cicatrizar mas cicatrizou.
Foi quando conheci meu tripé. O tripé de Clarice. O tripé que me sustentava sem que precisasse utilizar minhas próprias pernas. Chegou um momento em que minhas pernas se atrofiaram e meu único ponto de sustentação era meu tripé.
Comecei a sonhar demasiadamente. Voei absurdos. Iludi meu corpo, meu futuro, meus inocentes sonhos.
De tanto viver nas alturas, eis que um dia levei meu segundo tombo. Não machuquei meu tornozelo esquerdo mas perdi meu tripé durante a queda.
Que dor terrível eu senti. Que tristeza. Que vazio.
Não era só o fato de não conseguir mais caminhar sozinha.
Não era só o fato de não me sentir segura diante do mundo.
Era a perda de meus sonhos.
Quem sustentava meus sonhos era meu querido tripé.
Quem alimentava minhas ilusões, era meu tripé.
Tudo agora estava espalhado no espaço. Tudo!
Tudo agora estava espalhado na minha memória. Tudo!
E para meu tripé, não sobrou nada. Nada!


Duane Valentim

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